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A goteira pinga no telhado de todos?

  • Foto do escritor: Revista Lugar de Todos
    Revista Lugar de Todos
  • 15 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

O racismo ambiental acontece quando grupos desprivilegiados, composto especialmente por pessoas negras, pobres, periféricas, quilombolas, indígenas, são os mais afetados por problemas ambientais. Embora o termo tenha se originado nos Estados Unidos nos anos 1980, o debate sobre injustiça ambiental no Brasil só começou a ganhar corpo a partir de 2001, com a fundação da Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA), organizada durante o “Colóquio Internacional sobre Justiça Ambiental, Trabalho e Cidadania”. Em 2005, com a realização do I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, o termo “racismo ambiental” passou a ser explicitamente adotado no Brasil como forma de denunciar como determinadas populações sofrem desproporcionalmente os impactos ambientais negativos. Nas cidades brasileiras, isso aparece claramente em comunidades e favelas, onde faltam investimentos e serviços básicos que deveriam ser igualitários para todas as “fatias” da população.

Dessa forma, é importante voltar no tempo para dar início à nossa conversa. Em 1808 a família real portuguesa chega com seus acompanhantes, e expulsa parte da população carioca da região central da cidade. Dessa maneira, essas pessoas acabam ocupando os morros das redondezas, com zonas de habitação crescendo em áreas de risco. Por isso, na atualidade, muitas pessoas continuam morando nestes locais, sendo estes perto de encostas que estão sobre risco de deslizamento, rios que alagam, bem como com a ausência de saneamento básico. Além disso, por ser uma região historicamente negligenciada, há a ausência de escolas, postos de saúde e proteção ambiental. O mesmo acontece com outros tipos de problemas ambientais, como lixões, poluição e falta de manutenção de rios e ruas. Esses problemas afetam muito mais as comunidades do que os bairros ricos, que costumam receber mais atenção, infraestrutura e cuidados do poder público.

Por fim, o racismo ambiental não é apenas sobre riscos da natureza, é sobre quem sofre com esses riscos e quem recebe proteção, é sobre a parcela da população que constantemente é apagada ou excluída de políticas de inclusão, de acesso e do principal, do sentimento de pertencimento e de igualdade. Enfrentar essa situação exige que o Estado reconheça essas desigualdades e garanta políticas públicas que melhorem de verdade as condições de vida nesses territórios, pensando em grupos marginalizados como seres pertencentes ao ambiente e a sociedade.


Referências


GOMES, Fernando de Oliveira. Injustiça ambiental e racismo ambiental nas favelas do Rio de Janeiro: um olhar para o risco e a vulnerabilidade para (re)pensar as políticas públicas. 2022. Trabalho acadêmico (Graduação) — Departamento de Geografia e Meio Ambiente, [Instituição não especificada], Rio de Janeiro, 2022.


SANTOS, Márcia Cristina Corrêa dos. As diversas facetas do racismo ambiental: a violação do direito à moradia e ao meio ambiente equilibrado. 


BIODIVERSIDADLA. I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental. Disponível em: https://www.biodiversidadla.org/Noticias/I_Seminario_Brasileiro_contra_o_Racismo_Ambiental. Acesso em: 8 dez. 2025.


ACSELRAD, Henri. Justiça ambiental e construção social do risco. Rio de Janeiro: Relume-Dumará; Fundação Ford, 2002.


ACSELRAD, Henri; MELLO, Cecília Campello do Amaral; BEZERRA, Gustavo das Neves (org.). O que é justiça ambiental. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.


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